Traduções para o português Traduções para o português das cartas e cartões postais de Anne Frank para a avó dela na Suíça e a carta ao pai dela, que podem ser vistas no Museu Histórico de Amsterdã.
Primeira carta de Anne para a sua avó Alice Frank-Stern na Basiléia, na Suíça, 18 de novembro de 1936
Querida vovó
Te desejo muitas felicidades pelo teu aniversário. Como estão Stefan e Berd? Agradeço Tia Leni pelo bonito boneco esquiador. Você recebeu bons presentes?
Me escreva.
beijos,
Anne
Obs: A irmã de Anne, Margot, provavelmente traduziu esta carta para o alemão e, em seguida, Anne copiou com sua própria letra. Anne pergunta por seus primos, Stephan (14 anos) e Bernd Elias (11) que também moravam na Basiléia. Ela também agradece à tia Leni pelo 'schimannchen', um boneco com esquis nos pés, que pode ter recebido como presente pelo Chanucá, a festa das luzes judaica nas quais se comemoram as festividades do fim do ano.
Cartão Postal de Anne para a avó dela na Suíça, 7 de novembro de 1940
Querida vovó
Espero que você esteja bem. Hoje é Domingo e estou um pouco chateada. Eu estava brincando com meus cartões postais e então pensei que poderia te escrever. Esta manhã, papai e mamãe saíram e Margot e eu temos que arrumar os quartos. Não tem muita coisa para escrever neste cartão, mas eu vou enviar uma carta em breve.
Abraços para todo mundo e muitos beijos.
Sua Anne.
Obs: Anne Frank tinha uma grande coleção de cartões postais. Ela escolheu um com uma foto da Igreja Luterana no Singel, em Amsterdã, para enviar à sua avó..
Carta de Anne para a avó dela e para a família Elias na Suíça, junho 1941
Querida vovózinha, e queridos todo mundo,
Agradeço a todos vocês pela amável carta de aniversário. Eu a li pela primeira vez no dia 20 porque meu aniversário atrasou, porque a vovó foi levada ao hospital no dia 11.
Eu ganhei muitos presentes da vovó, - ¦ 2,50 e um Atlas. Do papai e da mamãe eu ganhei uma bicicleta, um nova mochila escolar, um vestido de praia e ainda outras coisinhas. Margot me deu estes papéis de carta porque eu não tenho outros e eu também ganhei um monte de doces e outros presentinhos.
Aqui está muito quente, aí também? Eu gostei muito do poema do Stephan, também ganhei um do papai, que falava sobre como é ter um aniversário. Nós teremos férias curtas, eu vou viajar por 14 dias com a família de Sanne Ledermann (talvez vovó a conheça), depois eu vou para uma casa de crianças, também com Sanne, o que não é nada mal.
Ontem, (domingo) eu estava com Sanne, Hanneli, e um garoto, foi muito legal, não me faltam crianças para fazer companhia. Eu não tenho tido muitas oportunidades de me bronzear porque não nos é permitido usar a piscina, o que é uma pena. Mas, nada se pode fazer.
Na escola não fazemos muito, durante as manhãs desenhamos um pouco e a tarde sentamos no jardim, caçamos moscas ou colhemos flores. Agora preciso terminar porque está ficando quente para continuar escrevendo.
Muitos abraços e beijos a todos vocês
Anne
Obs: Anne Frank raramente escreve explicitamente sobre a guerra e sobre os regulamentos que fazem restrições à comunidade judaica, mas nesta carta ela se refere à introdução, em junho de 1941, da proibição aos judeus em entrar nas piscinas.
Cartão Postal da família Frank (Otto, Edith e Anne Frank, Sanne Ledermann e Hanneli Goslar) para a avó na Suíça, julho 1941
Querida Vovó,
Hoje nos fizemos uma viagem e o tempo estava maravilhoso. Como encontramos este bonito cartão postal, pensamos em vocês.
Muitos abraços, Anne,
Desejando a vocês um pouco de paz,
Edith,
Muitos abraços, Otto, Sanne e Hanneli
Note: No verão de 1941, Anne Frank e seus pais fizeram um passeio na cidade de Huizen, próximo a Amsterdã. Anne levou suas amigas Sanne Ledermann e Hanneli Goslar. Eles enviaram um cartão para Alice Frank-Stern, que naquele momento estava hospedada na casa de familiares em Sils-Maria (Suíça). O cartão foi lido minuciosamente pela censura dos alemães.
Carta de Anne para o pai dela, Otto Frank, 5 de maio de 1944
Querido pai,
Porque eu acredito que você espera um esclarecimento da minha parte e porque eu me expresso melhor escrevendo do que falando, utilizo o papel. Acredito que você está decepcionado comigo, que você esperava mais reservas da minha parte e por isso você está preocupado com coisas que não merecem preocupação.
Desde que nós estamos aqui, de julho de 1942 até a algumas semanas, eu não tive um tempo fácil. Se você sabe o quando eu choro a noite, o quanto eu me sinto só, então pode entender o quanto eu quero ir lá pra cima. Não foi de um dia pro outro que eu cheguei a ponto de viver sem o apoio da mamãe ou de quem quer que seja.
Conquistei a minha independência ao custo de muita luta e lágrimas. A mãe pode rir e você pode até não acreditar em mim, o que não me importo. Eu sei que eu sou uma pessoa independente e não devo satisfações a vocês.
Eu estou contando isso apenas porque eu penso que você pode estar me achando cheia de segredos. Mas você não precisa pensar que com isso, vou me isentar da minha responsabilidade.
Eu devo satisfações das minhas ações somente a mim mesma; isso é algo que nem pai, nem mãe têm direito! Quando eu estava com dificuldades, vocês também fecharam os olhos e ouvidos, você não me ajudou, pelo contrário, tudo o que eu ganhei foram repreensões por fazer tanto escândalo. Eu fui escandalosa somente para não ficar triste o tempo todo, eu estava com medo por não continuar a ouvir a minha voz interior.
Eu representei, por mais de um ano e meio, não tirei minha máscara, não reclamei e nunca houve ninguém que notou isso, nada de ninguém! Ainda assim eu venci, e a batalha acabou! Sou independente, de corpo e de mente, eu não preciso mais de mãe, agora eu sei que lutei, agora quero continuar sozinha, o caminho que eu escolher.
Você não deve nem pode me considerar com 14 anos, porque depois de todas estas dificuldades eu amadureci. Não me arrependo do que fiz, me comportei do jeito que imaginei que poderia me comportar, e sei muito bem do que sou capaz. Você não pode me manter longe da doçura do sótão, ou mesmo me proibir de subir, isso não vai me manter longe de lá de cima. Você precisa acreditar em mim. E um último pedido, ainda que você talvez não queira atender, apenas me deixe em paz, se você não quer acreditar em mim e me perder para sempre!
Sua Anne
Obs: Durante o período em que viveram escondidos, Anne Frank e Peter van Pels se apaixonaram. Eles se apoiavam emocionalmente, se beijavam e se acariciavam no sótão da casa-esconderijo. Anne decidiu ser honesta com o pai e contar. Otto a repreendeu e a advertiu para que ela não fosse mais todas as noites até onde Peter dormia, mas ela continuou fazendo. O pai não gostou e proibiu o relacionamento.
Anne ficou furiosa e decidiu escrever esta carta ao pai. Primeiro, ela escreveu uma versão rascunho no diário e depois a versão definitiva, que colocou na bolsa do pai. Esta carta é a declaração de independência de Anne. Segundo a irmã de Anne, Margot, Otto passou a noite desconcertado e na manhã seguinte teve uma longa conversa com a filha. Otto disse a Anne que iria jogar a carta no fogo, mas após a morte dele, descobriu-se que ele havia guardado a carta.


























