Uma grande exposição da obra de Piet Mondrian (1872-1944) pode ser vista em Haia. O Gemeentemuseum da cidade-sede do governo holandês mostra até outubro sua coleção de quadros do pintor, conhecido pelos retângulos e uso de cores primárias.
O curador, Hans Janssen, se considera privilegiado: "Eu trabalho desde 1991 no Gemeentemuseum. Ao longo destes 17 anos, tive a oportunidade de, diariamente e bem de perto, examinar minuciosamente as obras de Mondrian".
Maior coleção
O Gemeentemuseum de Haia tem a maior coleção de Mondrians do mundo. Depois de um longo período de empréstimo destas obras, agora elas estão de volta.
Hans Janssen escreveu um livro sobre esta exposição. Nele, o curador escreve que a imagem que geralmente se tem do pintor Piet Mondriaan precisa ser ajustada. "Se você trabalha tanto tempo com a obra dele, você sabe que ele não era inexpressivo, que não fazia somente algo sistemático com imagens e linhas", diz.
Impressões digitais
Janssen fala sobre as impressões digitais de Mondrian, à esquerda e à direita, no meio de diversas telas: "Percebe-se que ele tirou suas telas do cavalete enquanto a tinta ainda não estava totalmente seca. Seus polegares estão ali. Ele deixava uma tela de lado por um tempo para continuar trabalhando em outra. Depois ele voltava a trabalhar na mesma pintura, como outros pintores também o fazem".
Nas primeiras salas da exposição estão à mostra principalmente paisagens, algumas noturnas, e alguns retratos. "Ele pintava o dia inteiro", conta o curador do Gemeentemuseum. "Se ele não tivesse começado a exercitar um novo estilo, teria sido um dos melhores pintores de paisagens da Holanda", acrescenta.
Paisagens
Nos primeiros anos, Piet Mondrian pintou de acordo com a tradição realista, de caráter romântico, de sua época, como se pode ver no trabalho dos irmãos Maris (Jacob, 1837-1917, Matthijs, 1839-1917, e Willem Maris, 1844-1910) e outros representantes da Escola de Haia (que existiu entre 1860 e 1900). Esta tradição remete aos pintores de paisagens do século 17.
Os indícios do novo estilo vão aparecendo aos poucos no trabalho de Mondrian. O quadro Moinho de vento ao leste sob a luz da lua (1907-1908) é um bom exemplo disso. Na pintura, vê-se uma silhueta de um moinho de vento ao Gein, um pequeno rio ao sul de Amsterdã. Uma faixa de nuvens azul-violeta destaca-se em um céu de amarelo intenso.
O uso dessas cores era controverso naquele tempo, conforme explica Hans Janssen. "Se essa fosse uma imagem da realidade, era ainda mais realista. Se essa não era a realidade, isso vinha de dentro dele, o que muita gente não aceitava".
Arte do futuro
Fica cada vez mais evidente que Mondrian não segue o padrão estilístico de cores da sua época. Chegavam notícias sobre o cubismo em Paris, de pintores como Pablo Picasso (1881- 1973) e Georges Braque (1882-1963). Em 1911, Mondrian viaja à capital francesa.
"Foi a partir daquele momento que começa a aventura de verdade", afirma Hans Janssen. "Depois do contato com Picasso e Braque, ele começa a fazer arte que não remetia mais ao tempo em que ele vive, mas do futuro".
Marca registrada
Mondrian se estabelece rapidamente em Paris - onde muda seu nome de Mondriaan para Mondrian - e aos poucos vão aparecendo suas formas conhecidas. Já nos anos 1920 ele pinta as obras que se transformaram na sua marca registrada: as pinturas com retângulos em vermelho, amarelo e azul, a partir de linhas verticais e horizontais. Elas são conhecidas e imitadas no mundo todo.
Mondrian também escreveu artigos na revista de arte moderna holandesa De Stijl. Mas Janssen frisa que a teoria da arte de Mondrian apareceu quando ele já havia desenvolvido seu estilo. "Eu acho que nós devemos vê-lo como um dos melhores pintores do século 20".

























