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Exposição mostra inéditas de Anne Frank

Data de publicação : 13 Abril 2006 - 12:30pm | Por RNW Radio Netherlands Worldwide
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Todo mundo conhece Anne Frank como a escritora de um diário sobre a Segunda Guerra Mundial. Uma educação judaica liberal e o que ela passou durante a guerra transformaram a adolescente em uma escritora profissional. Agora, vinte cartas e cartões que ela escreveu à família e amigos nos tempos da guerra trazem à tona novos fatos sobre a vida de Anne em Amsterdã.

Anne não havia completado sete anos quando ela enviou o primeiro cartão postal à sua avó. Ela a parabenizava pelo aniversário. Anne Frank vem de uma família onde se escrevia muito, em que era comum enviar cartas, cartões de agradecimentos e cartões postais. A coleção de cartas, que pode ser vista no Museu histórico de Amsterdã, foi escrita no período entre 1936 e 1942. Muitas destas cartas infantis nunca haviam sido publicadas.

Origem das cartas
A maioria das cartas e cartões provém do arquivo pessoal de Buddy Elias, primo de segundo grau de Anne. Várias destas cartas foram enviadas a ele. De acordo com o curador da Casa da Anne Frank, Wouter van der Sluis, parte das cartas foram encontradas durante uma arrumação de um sótão pela família que mora na Suíça, depois da morte da segunda mulher de Otto Frank, o pai de Anne.

Graças ao achado, novas informações sobre a vida de Anne Frank tornaram-se conhecidas. A partir das cartas, é possível ver que ela freqüentava uma comunidade judaica liberal que era bastante freqüentada pelos alemães judeus que imigraram nos anos 30 e se mudaram para o Sul de Amsterdã.

Clique aqui para a tradução das cartas e cartões em português

1929  Nasce Anne Frank

1933  Família Frank se muda para Amsterdam, para a Merwedeplein, 37

1940  Início da 2ª Guerra Mundial

1942  Anne mergulha, entre outros, com sua família nos fundos da casa que fica na Prinsengracht, 263, onde atualmente se encontra o museu em memória da família Frank.

Conteúdo
Nestes anos, a família Frank separou-se dos demais parentes. A partir do momento que a guerra começou, Anne contava para a família na Suíça a situação na escola, sobre viagens curtas e coisas do dia-a-dia. Na opinião do curador, as cartas dão um alívio à situação. Cheia de entusiasmo, ela escrevia sobre os planos de se tornar esquiadora. Nas entrelinhas é possível ler que a guerra começou, mas isso não está detalhado nas cartas, o que torna mais bizarro os escritos de Anne Frank.

Quando, em 1942, a família Frank "mergulhou", ou seja, resolveu se esconder para não ser deportada, Anne só podia escrever cartas em um diário, para Kitty, a amiga imaginária dela. De escritora de cartas, Anne Frank passa a ser uma séria escritora de diário. Van der Sluis conta que ela começa descrevendo a si mesma e o ambiente em que vive. Ela descreve com precisão os diversos acontecimentos, quase como um filme.

Exposição
Além das cartas, podem ser vistas na exposição fotos, testemunhos, objetos e vídeos para ilustrar a vida da comunidade judaica nos anos trinta. As cartas foram decoradas com imagens de Merwedeplein, a praça onde ficava o apartamento que a família Frank morou. Também podem ser vistos o diário e uma série de fotos da deportação.

O ponto mais alto da exposição é uma carta de Anne ao pai dela. Ainda que uma pequena versão possa ser lida no diário, o conteúdo integral da carta nunca tinha sido revelada ao público. Otto Frank sempre guardou esta carta, embora tenha dito a a Anne que iria queimado esta carta. Na carta, escrita de maneira bastante adulta, Anne diz que devido às dificuldades pelas quais passaram naquele período, ela amadureceu e não precisava mais dos pais, o que, segundo Van der Sluis, mostra que durante a guerra ela pode se transformar em uma escritora de verdade.

A exposição Anne Frank, sua vida em cartas, pode ser vista no Museu Histórico de Amsterdã de 12 de abril a 3 de setembro de 2006.

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